Incretinomiméticos sob olhar bioético: entre terapêutica, estética e justiça sanitária
Resumo
Os incretinomiméticos agonistas do receptor de GLP-1 e agonistas duais GIP/GLP-1 redefiniram o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade por associarem controle glicêmico, perda ponderal e benefícios cardiovasculares em contextos selecionados. Articulando o principialismo bioético a perspectivas críticas contemporâneas, incluindo bioética de intervenção, justiça sanitária, medicalização e
mercantilização do cuidado, esta revisão narrativa sistematizada analisou fundamentos farmacológicos, eficácia, segurança e desafios regulatórios, econômicos e distributivos dessas terapias. Discutem-se as tensões entre uso terapêutico e estético, risco de medicalização do emagrecimento, barreiras de acesso e impactos sobre a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Conclui-se que a incorporação eticamente defensável dos incretinomiméticos exige prudência clínica, consentimento esclarecido, acompanhamento
longitudinal, critérios transparentes de priorização e compromisso com equidade, continuidade do cuidado e proteção contra desigualdades globais de acesso a inovações farmacológicas.
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