Sedação paliativa para controle de sofrimento existencial refratário: um fluxograma

Autores

  • Arthur Amaral de Souza Hospital de Apoio de Brasília, Brasília/DF, Brasil. http://orcid.org/0000-0002-0768-2206
  • Gabriel Souza Borges Escola Superior de Ciências da Saúde, Brasília/DF, Brasil http://orcid.org/0000-0003-2787-3365
  • Erika Renata Nascimento Cavalcanti de Oliveira Hospital de Apoio de Brasília, Brasília/DF, Brasil
  • Luiza Alvarenga Lima Bretones Hospital de Apoio de Brasília, Brasília/DF, Brasil

Resumo

Há pouco consenso na literatura sobre como deve ocorrer o manejo do sofrimento existencial refratário, um desafio clínico dramático que pode ocorrer no contexto da terminalidade. Este artigo apresenta um relato de caso de uma paciente internada no Hospital de Apoio de Brasília que necessitou de sedação paliativa para alívio de sofrimento existencial refratário e obteve controle satisfatório de sintomas. Também foi elaborado fluxograma decisório, embasado em revisão que inclui as diretrizes europeias de sedação paliativa, uma ferramenta útil para clínicos em cenários de cuidados paliativos.

Palavras-chave:

Medicina Paliativa. Cuidados Paliativos na Terminalidade da Vida. Autonomia Pessoal. Angústia Psicológica. Sedação Profunda. Relatos de Casos.

Biografia do Autor

Arthur Amaral de Souza, Hospital de Apoio de Brasília, Brasília/DF, Brasil.

Médico, formado na Universidade Potiguar (2018), com experiência nas Áreas de: 1) Urgência e Emergência (Unidade de Pronto Atendimento de Nova Esperança - Parnamirim 2017-2018); 2) Cuidados Paliativos (Hospital Monselhor Walfredo Gurgel: 2017-2018); 3) Unidade de Terapia Intensiva (Hospital Luiz Antônio - LIGA: 2016-2017); 4) Oftalmologia (Oftalmoclinica Natal - 2017) 5) Reumatologia (Centro Clínico Integrado - CIS UNP - 2015-2017) 6) Neurologia (Centro de Reabilitação Infantil e Hospital Monsehor Walfredo Gurgel - 2017); 7) Cursos de Comunicação de Más Notícias ( Projeto Dying - A human Thing - UFRN 2016). Além de Experiências como: Escrevo Mensalmente para o site: Academia Médica (artigos, textos, poesias) desde 2018. Vencedor do Prêmio Here for Good Award 2017: LAUREATE 2017 GLOBAL IMPACT REPORT HERE FOR GOOD. Presidente discente: Liga de Reumatologia do Rio Grande do Norte (Gestão 2017) e da Liga de Neurociências de Natal (Gestão 2017); Idealizador e Voluntário do Projeto - Amigos Médicos Amantes da Arte (2013-2015); Monitor na Disciplina de Semiologia Médica - AIS II (2015); Voluntário do Núcleo de Amparo ao Menor - NAM (2015) Diretor Executivo do Centro Acadêmico de Médicina (Gestão 2014); Voluntário e Membro da IFMSA - Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina (2014).

Gabriel Souza Borges, Escola Superior de Ciências da Saúde, Brasília/DF, Brasil

Médico generalista pelo curso de Graduação em Medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS-DF). Certificação ACLS/AHA (DE: 23/10/2022). Curso de capacitação avançada em Urgência e Emergência Pré-Hospitalar pelo NUEDU/SAMU-DF (50h). Certificado em inglês pelo Certificate of Proficiency in English (nível C2 do quadro europeu comum de referências para línguas) da Cambridge English Language Assessment, departamento da University of Cambridge.

Erika Renata Nascimento Cavalcanti de Oliveira, Hospital de Apoio de Brasília, Brasília/DF, Brasil

Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Campina Grande, UFCG, Brasil. 
Especialização em CUIDADOS PALIATIVOS. (Carga Horária: 390h) pela Universidade Santa Cecília, UNISANTA, Brasil.

Especialização em GESTÃO DA CLÍNICA NAS REGIÕES DE SAÚDE. (Carga Horária: 360h).
Hospital Sírio-Libanês, SIRIO-LIBANÊS, Brasil.

Luiza Alvarenga Lima Bretones, Hospital de Apoio de Brasília, Brasília/DF, Brasil

Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Goiás, UFG, Brasil.

Especialização - Residência médica.
Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, HC/UFG, Brasil. Residência médica em: Clínica Médica
Número do registro: 16514.
Bolsista do(a): Ministério da Saúde, MS, Brasil.


Especialização - Residência médica.
Hospital Universitário de Brasília, HUB/UNB, Brasil. Residência médica em: Geriatria
Número do registro: 16515.
Bolsista do(a): Ministério da Saúde, MS, Brasil.


Especialização - Residência médica.
Escola Superior de Ciências da Saúde, ESCS, Brasil. Residência médica em: Medicina Paliativa
Bolsista do(a): SECRETARIA DE ESTADO DA SAUDE-DF, SES-DF, Brasil.

Referências

Ferrell BR, Temel JS, Temin S, Alesi ER, Balboni TA, Basch EM, et al. Integration of Palliative Care Into Standard Oncology Care: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline Update. J Clin Oncol. 2017;35:96–112.

Braun LT, Grady KL, Kutner JS, Adler E, Berlinger N, Boss R, et al. Palliative Care and Cardiovascular Disease and Stroke: A Policy Statement From the American Heart Association/American Stroke Association. Circulation [Internet]. 2016 [citado 26 de abril de 2023];134. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000000438

Saunders CM. Cicely Saunders: Selected Writings 1958—2004. 1o ed. Oxford: Oxford University Press;

Masso M, Allingham SF, Banfield M, Johnson CE, Pidgeon T, Yates P, et al. Palliative Care Phase: Inter-rater reliability and acceptability in a national study. Palliat Med. 2015;29:22–30.

Maltoni M, Miccinesi G, Morino P, Scarpi E, Bulli F, Martini F, et al. Prospective observational Italian study on palliative sedation in two hospice settings: differences in casemixes and clinical care. Support Care Cancer. 2012;20:2829–36.

Santos AFJ dos, Rodrigues LF. Manual de Terapia de Sedação Paliativa. 1o ed. Lemar & Goi; 2009. 243 p.

Voeuk A, Nekolaichuk C, Fainsinger R, Huot A. Continuous Palliative Sedation for Existential Distress? A Survey of Canadian Palliative Care Physicians’ Views. J Palliat Care. 2017;32:26–33.

Reich M, Bondenet X, Rambaud L, Ait-Kaci F, Sedda AL, Da Silva A, et al. Refractory psycho-existential distress and continuous deep sedation until death in palliative care: The French perspective. Palliat Support Care. 2020;18:486–94.

Rousseau P. Existential suffering and palliative sedation: a brief commentary with a proposal for clinical guidelines. Am J Hosp Palliat Care. 2001;18:151–3.

Morita T, Tsunoda J, Inoue S, Chihara S. Terminal sedation for existential distress. Am J Hosp Palliat Care. 2000;17:189–95.

Rousseau P. Existential distress and palliative sedation. Anesth Analg. 2005;101:611–2.

Arantzamendi M, Belar A, Payne S, Rijpstra M, Preston N, Menten J, et al. Clinical Aspects of Palliative Sedation in Prospective Studies. A Systematic Review. J Pain Symptom Manage. 2021;61:831-844.e10.

Ciancio AL, Mirza RM, Ciancio AA, Klinger CA. The Use of Palliative Sedation to Treat Existential Suffering: A Scoping Review on Practices, Ethical Considerations, and Guidelines. J Palliat Care. 2020;35:13–20.

Taylor BR, McCann PRM. Controlled Sedation for Physical and Existential Suffering? [Internet]. https://home.liebertpub.com/jpm. Mary Ann Liebert, Inc. 2 Madison Avenue Larchmont, NY 10538 USA; 2005 [citado 7 de maio de 2023]. Disponível em: https://www.liebertpub.com/doi/10.1089/jpm.2005.8.144

Sepúlveda C, Marlin A, Yoshida T, Ullrich A. Palliative Care: the World Health Organization’s global perspective. J Pain Symptom Manage. 2002;24:91–6.

Cherny NI, Radbruch L, Board of the European Association for Palliative Care. European Association for Palliative Care (EAPC) recommended framework for the use of sedation in palliative care. Palliat Med. 2009;23:581–93.

Cherny NI, ESMO Guidelines Working Group. ESMO Clinical Practice Guidelines for the management of refractory symptoms at the end of life and the use of palliative sedation. Ann Oncol Off J Eur Soc Med Oncol. 2014;25 Suppl 3:iii143-152.

Riley DS, Barber MS, Kienle GS, Aronson JK, Von Schoen-Angerer T, Tugwell P, et al. CARE guidelines for case reports: explanation and elaboration document. J Clin Epidemiol. 2017;89:218–35.

Zoccoli TLV, Ribeiro MG, Fonseca FN, Ferrer VC, organizadores. Desmistificando cuidados paliativos. 1o ed. Brasília: Oxigênio; 2019. 356 p.

Garetto F, Cancelli F, Rossi R, Maltoni M. Palliative Sedation for the Terminally Ill Patient. CNS Drugs. 2018;32:951–61.

Ricardo Tavares de Carvalho, Parsons HA, organizadores. Manual de Cuidados Paliativos ANCP. 2o ed. 2012.

Cherny NI, Portenoy RK. Sedation in the Management of Refractory Symptoms: Guidelines for Evaluation and Treatment. J Palliat Care. 1994;10:31–8.

Como Citar

1.
Souza AA de, Borges GS, Oliveira ERNC de, Bretones LAL. Sedação paliativa para controle de sofrimento existencial refratário: um fluxograma. Rev. bioét.(Impr.). [Internet]. 13º de março de 2024 [citado 19º de abril de 2024];31(3). Disponível em: https://revistabioetica.cfm.org.br/revista_bioetica/article/view/3605