A arte perdida de cuidar

Autores

  • José Eduardo de Siqueira

Resumo

Este artigo pretende identificar as causas da deterioração na qualidade do atendimento médico que transparece cotidianamente no que se convencionou chamar de desumanização da assistência à saúde. Aponta, inicialmente, para o modelo cartesiano-flexneriano que privilegia a soberania de disciplinas e subdisciplinas acadêmicas que se multiplicam à medida que ocorre o incontrolável crescimento do conhecimento científico. Mostra quão irrazoável é persistir nesse modelo e propõe a adoção de novas propostas pedagógicas para o ensino médico que melhor atendam as  necessidades do ser humano enfermo. Sugere a incorporação de estratégias de ensino que permitam fornecer conhecimentos mais adequados do processo saúde-doença, contemplando o enfoque interdisciplinar. Aponta, como exemplo, o modelo, já implantado em diferentes cursos de Medicina, que promove a integração curricular entre os ciclos básico e clínico e é organizado em módulos de ensino que substituem as tradicionais disciplinas. Finalmente, mostra que a UNESCO, preocupada com o extraordinário avanço do saber científico e a proliferação de disciplinas acadêmicas, criou a Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, que propõe novo tipo de formação universitária estruturada sobre os eixos: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser.

Palavras-chave:

bioética, ensino médico, interdisciplinaridade, humanização da medicina, cuidados médicos

Biografia do Autor

José Eduardo de Siqueira

Doutor em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em
Bioética pela Universidade do Chile, professor de Clínica Médica e Bioética da UEL, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética (2005-2007), membro da CâmaraTécnica de Medicina Paliativa
do CFM, membro da Comissão Nacional de Revisão do Código de Ética Médica do CFM

Publicado:

2009-11-03

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Como Citar

1.
Siqueira JE de. A arte perdida de cuidar. Rev. bioét.(Impr.). [Internet]. 3º de novembro de 2009 [citado 25º de maio de 2024];10(2). Disponível em: https://revistabioetica.cfm.org.br/revista_bioetica/article/view/216