Do clínico geral ao psiquiatra: fronteira ética entre atenção primária e serviços de psiquiatria

Autores

  • Francisco da Costa Júnior

Resumo

A relação entre médicos não-psiquiatras e médicos psiquiatras é abordada neste ensaio em dois níveis. O primeiro discute os problemas éticos e técnicos que envolvem esta relação, principalmente a baixa ocorrência deste tema na literatura científica, as distorções conceituais envolvidas no diagnóstico psiquiátrico realizado por médicos não-psiquiatras, bem como a prescrição abusiva e não específica de psicotrópicos sedativos na saúde pública brasileira. No outro nível de abordagem, mais propositivo, elabora-se um modelo de ensino que oriente de modo didático e prático o diagnóstico e condutas médicas frente a problemas clínicos que, a princípio, demandem diagnósticos psiquiátricos, prescrição de psicotrópicos ou encaminhamento a serviços de psiquiatria. Propõe-se que o médico nãopsiquiatra deva fazer apenas diagnósticos psiquiátricos não específicos, pautando-se para isso na distinção entre síndromes psiquiátricas graves e síndromes com menor gravidade. E que, a partir desta distinção, deva orientar sua conduta atendo-se a sua capacidade técnica de gerir tratamentos psiquiátricos a médio e longo prazo, ou com apoio referencial ao especialista. Também se discute como deve ser feito o encaminhamento ao psiquiatra, quando for este o caso.

Palavras-chave:

Atenção Primária à Saúde, Saúde pública, Psiquiatria, Psicotrópicos

Biografia do Autor

Francisco da Costa Júnior

Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB), psiquiatra do Ambulatório de Alta Complexidade em Saúde Mental do Hospital Universitário de Brasília (AACSM-HUB) da UnB, professor colaborador da Faculdade de Medicina (FM/UnB), Distrito Federal, Brasil

Publicado:

2009-10-27

Downloads

Como Citar

1.
Júnior F da C. Do clínico geral ao psiquiatra: fronteira ética entre atenção primária e serviços de psiquiatria. Rev. bioét.(Impr.). [Internet]. 27º de outubro de 2009 [citado 20º de abril de 2024];17(2). Disponível em: https://revistabioetica.cfm.org.br/revista_bioetica/article/view/159