Tecnologia e normas de gênero: contribuições para o debate da bioética feminista

Marilena C. D. V. Corrêa, Márcia Arán

Resumo


Este artigo de revisão tem como objetivo contribuir para o debate sobre a Bioética Feminista por meio de duas abordagens: primeiramente, busca situar a discussão teórica sobre a questão da tecnologia e o sistema sexo/gênero no campo dos estudos feministas. Em uma vertente dominante até os anos 1970, estes estudos enfatizam a análise dos dispositivos específicos de regulação (legais, institucionais, militares, educacionais, sociais, psicológicos e psiquiátricos) que dominam os corpos e constroem gêneros. Em outra vertente, posterior aos anos 1980, as tecnologias de gênero são compreendidas por meio de uma concepção produtiva
do poder, a partir da reiteração e da repetição de normas, particularmente, da matriz heterossexual (que constitui, a um só tempo, a dominação masculina e a exclusão da homossexualidade). A partir da apresentação e do cruzamento destas teorias, é abordado, em segundo lugar, o problema das normas de gênero e tecnologia em dois casos: o das novas tecnologias reprodutivas e o da regulamentação das transformações corporais na transexualidade.

Palavras-chave


Bioética Feminista; Gênero; Transexualidade; Novas tecnologias reprodutivas; Medicalização; Bioética; Feminismo; Direitos Humanos e saúde

Texto completo:

PDF