Reflexões Bioéticas Sobre Ciência, Saúde e Cidadania

Volnei Garrafa

Resumo


Considerando a dinâmica observada pela conceitualização da bioética desde seu nascimento, o autor propõe classificá-la em duas vertentes: bioética das situações persistentes e bioética das
situações emergentes. A partir deste referencial teórico, introduz e discute as seguintes questões:
1. A ética da responsabilidade - científica e social -, que inclui a questão da radicalidade ética,
recordando que o problema central da bioética não é o do "limite ético", mas aquele das razões
que justificam um dado juízo moral; 2. Os limites da manipulação da vida, compreendendo estes
"limites" de forma conceitual como "estimular o desenvolvimento da ciência dentro das fronteiras
humanas" e desestimulá-la quando esta passa a avançar na direção de limites desumanos";
3. Pluralidade, tolerância, responsabilidade e justiça, entendendo que a partir do acelerado
desenvolvimento da ciência a questão dos "limites" não pode mais ser vista sob o ângulo
exclusivamente biotecnocientífico, mas a partir da sua fundamentação ética; a barreira
técnica e científica está praticamente superada: o limite, hoje, deve ser estabelecido pela ética:
o "fazer tudo o que PODE ser feito" é substituído pelo "fazer tudo aquilo que DEVA ser feito".
Finalizando, enfatiza o desafio, para a bioética contemporânea, de equilibrar a
"linguagem dos princípios" com a "linguagem das virtudes".

Palavras-chave


Ética da responsabilidade; situações "persistentes" e "emergentes"; "limites" da ciência; pluralidade; tolerância; cidadania

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