Responsabilidade e tecnologia: a questão da distanásia


Resumo


Este artigo reflete acerca da distanásia, como consequência do desenvolvimento científico-tecnológico que conduziu à instrumentalização da medicina e medicalização da morte. Apresenta aspectos da formação médica que implicam que a morte seja vista não como parte da vida, mas sinônimo de fracasso médico. Argumenta que o avanço tecnológico permite curar a doença, mas não a morte, o que torna necessário refletir sobre a utilização sistemática e acrítica de tecnologia no final da vida. A análise baseia-se no princípio da responsabilidade de Hans Jonas, tomado como ferramenta filosófica importante para compreender o contexto. Busca-se levantar as causas e os princípios bioéticos subjacentes à distanásia e a relação desenvolvimento tecnológico-responsabilidade, no âmbito da prática clínica na fase terminal. Tentar-se-á ainda mostrar a necessidade de mudar o paradigma de tratamento da pessoa doente, sobretudo terminal ou crônica, como corolário dessa responsabilidade.

Palavras-chave


Distanásia. Tecnologia. Cuidados paliativos. Responsabilidade social.

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