El medico y la investigación clínica

Miguel Kottow

Resumo


Ao empreender estudos clínicos os pesquisadores biomédicos se comprometem a proteger sujeitos de pesquisa dos riscos da investigação, mas, ao mesmo tempo, se desligam de toda
obrigação por seguir cuidando o paciente, segundo os cânones da ética clínica. Para o médico que ministra tratamento isso significa deixar de oferecer a estes pacientes os máximos benefícios terapêuticos, já que na pesquisa, possivelmente, seja suspensa a terapia de rotina, se recorra a dosagens insuficientes de medicamento, a placebos, a cuidados despersonalizados, somando os riscos do estudo aos inerentes à enfermidade. Co-investigar em um protocolo ou aconselhar que seus pacientes sejam recrutados será conflitante para o médico que ministra tratamento, a menos que se trate de estudo terapêutico com expectativas diretas de benefício médico para os participantes. Em estudos não-terapêuticos o médico cria uma tensão na relação de confiança com o paciente ao recomendar-lhe o ingresso em uma pesquisa na qual os cuidados médicos que recebe devem ficar em segundo plano, frente ao rigor científico, situação especialmente delicada se o paciente é incompetente para tomar uma decisão informada. Médicos e pacientes podem entender
erroneamente, ou serem ambiguamente informados, sobre os supostos benefícios terapêuticos do estudo, caindo na falácia terapêutica. É erodida, assim, a distinção entre estudo terapêutico e nãoterapêutico, sugerindo que o consentimento livre e esclarecido a um protocolo só é terapêutico em aparência.

Palavras-chave


Ética clínica; Ensaios terapêuticos; Falácia terapêutica

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