Bioética da Eutanásia Argumentos Éticos em Torno da Eutanásia

Hubert Lepargneur

Resumo


É muito provável que a primeira metade do século XXI discutirá a eutanásia com a mesma paixão utilizada na segunda metade do século XX a respeito do aborto. Isso exige rigor na argumentação desse assunto que desperta tanta emotividade e atenção aos argumentos alheios, considerando-se que as religiões defendem a vida biológica em nome da Divindade ou de um absoluto impessoal (budismo). Este artigo tenta examinar, numa perspectiva histórica e filosófica, os eventuais argumentos contrários à prática. Chama a atenção sobre a polissemia da palavra "eutanásia" e sobre as condições rigorosas que, ao parecer dos eticistas mais tolerantes, limitam seu  eventual exercício à voluntários em situação extremada de sofrimento subjetivamente inútil e nefasto, impedidos de desfrutar alívio farmacológico  por uma razão ou outra; fora da fase de depressão, eles expressaram livre e conscientemente uma opção que não cancelaram e não prejudica ninguém. Cabe à legislação democrática e ao órgão de classe regular a deontologia que respeita a dignidade de todos.

Palavras-chave


Eutanásia; autonomia da vontade; doença terminal; morte com dignidade; valor do sofrimento

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