A Bioética frente ao irracionalismo na pós-modernidade

Enídio Ilário

Resumo


Este ensaio de antropologia filosófica busca analisar os discursos hegemônicos contemporâneos, freqüentemente impregnados de niilismo oculto por detrás de um discurso de crítica ao Humanismo. Os discursos dominantes realimentam a atitude provisória e fatalista, fertilizam o campo do absolutismo mercadológico e produzem indivíduos fascinados somente por miçangas e quinquilharias tecnológicas. O desenraizamento cultural cria as pré-condições para uma gravíssima crise de valores da qual vicejam concepções marcadas pelo relativismo ético. Nessa análise crítica, procurei evidenciar que o discurso de reação ao mecanicismo, no mais das vezes, é de forte conteúdo irracionalista e tributário do sentimento de estranhamento e de nostalgia das certezas instintivas da pura interioridade do homem. Esse homem, vítima de titânico cabo-de-guerra, deve lutar para preservar a sua liberdade pessoal e integridade psíquica. No entanto, não é necessariamente ao destino fáustico ou ao ocaso da civilização que o homem está fadado; há sempre a possibilidade de se traçar um caminho seguro para a compreensão do fenômeno humano através de uma atitude que se contraponha, no campo da Bioética, a essa tendência devastadora de esvaziamento ontológico do homem.

Palavras-chave


Bioética; irracionalismo; niilismo; cosmovisões; pós-modernidade

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