Editorial

Dora Porto, Sidnei Ferreira

Resumo


O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro, que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nascem a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais (1).


O texto em epígrafe, atribuído a Brecht, sublinha a alienação, a relutância, a
resistência ou até mesmo o horror que as pessoas muitas vezes sentem diante das dificuldades para exercer sua cidadania. Há décadas essa condição é atribuída, ao menos em parte, ao medo da liberdade e da responsabilidade que acarreta (2). Mas o fato de não serem ouvidos, a pouca identificação com os eleitos para representá-los, a impunidade perante a malversação da coisa pública, a falta de acesso aos direitos fundamentais, como saúde e educação, também minam a esperança dos cidadãos, contribuindo para provocar apatia e produzir “analfabetos políticos” em larga escala.


Palavras-chave


Bioética

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